Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região

Coordenadoria Técnica

Artigo: Mudanças climáticas: como a pesca está sendo afetada

Por Luana Arruda Sêga , oceanógrafa da Coordenadoria Técnica do SINDIPI

Existem muitos estudos que comprovam que a distribuição das espécies marinhas está mudando com as alterações de temperatura e pH das águas

As mudanças climáticas, cada vez mais evidentes no mundo todo, trazem prejuízos irreparáveis para a população mundial, tanto ambientais quanto sociais e econômicos. Os oceanos cobrem mais de 70% da superfície terrestre e são essenciais para a vida humana, regulando o clima e os nutrientes através de ciclos naturais. Além disso eles fornecem inúmeros serviços ecossistêmicos, que podem ser definidos como benefícios da natureza para as pessoas e que são vitais para o bem-estar humano e para as atividades econômicas.

Os oceanos fornecem recursos naturais, alimentos e empregos que beneficiam milhões de pessoas, como é o caso da atividade pesqueira. No entanto, essa atividade pode estar sendo diretamente afetada pelas mudanças climáticas de diferentes maneiras. Já existem muitos estudos que comprovam que a distribuição das espécies marinhas está mudando com as alterações de temperatura e pH das águas e tal mudança pode requerer diversificação das operações de pesca e de mercados, sendo que as espécies que ocupam os lugares de outras podem ser menos valiosas comercialmente, causando prejuízos aos pescadores.

 Para as pescarias que possuem legislações específicas, como defesos em época de reprodução, as mudanças nas características físicas da água podem alterar a época da desova e do recrutamento dos peixes, necessitando, portanto, de novos estudos e de adequação nessas legislações.  

Além do aumento da temperatura média das águas do mar, as mudanças climáticas também são responsáveis pela acidificação dos oceanos, que destroem habitats importantes para a biodiversidade marinha, como é o caso dos recifes de corais, e pelo aumento da frequência e gravidade das tempestades que podem afetar as comunidades de espécies tanto no mar quanto na praia. Outro agravante do aumento das temperaturas é a diminuição da produção primária, uma vez que águas mais quentes possuem menos nutrientes para os organismos fotossintetizantes.

Estudos realizados na corrente de águas frias de Humboldt, na costa sul-americana do Oceano Pacífico, já sugerem que as altas temperaturas estão diminuindo a produção primária, afetando diretamente a pesca na região, que tem como alvo principalmente as espécies de pequenos peixes pelágicos.

 Na costa sul do Brasil também existem áreas com influência de águas frias da corrente das Malvinas, que trazem nutrientes para o fitoplâncton que além de ser base da cadeia trófica, é alimento dos pequenos peixes pelágicos que sustentam grande parte da pesca na região, ou seja, o aumento da temperatura das águas dessa corrente também pode afetar diretamente a atividade pesqueira.

 Existem comprovações de que a Terra passa por períodos cíclicos de aquecimento e resfriamento e de que estamos vivendo um momento de aquecimento natural, porém, a velocidade com que as mudanças climáticas estão acontecendo é resultado das ações antropogênicas, principalmente pelas emissões de gases de efeito estufa na atmosfera.

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